Reflexão pessoal · Medicina Regenerativa

Esse dia, finalmente chegou

Antes de escrever qualquer coisa sobre o que o CFM decidiu, preciso contar uma cena.

Há alguns dias, no meio da agitação de mais uma reunião, parei numa página do meu próprio livro. A página 122, dos Agradecimentos de PRP Para Todos. Peguei o celular, tirei uma foto, grifei uma frase a caneta amarela e postei no Instagram sem pensar muito — só senti que precisava marcar aquele instante.

“Continuo acreditando que, em breve, este manifesto perderá sua urgência — e espero, sinceramente, que perca. O dia em que o PRP se tornar tão aceito e tão cotidiano que este título parecer desnecessário será o verdadeiro sinal de vitória — sobretudo para nós, pacientes.”

Escrevi essa frase antes de saber quando — ou se — esse dia chegaria. Era mais esperança do que previsão. Um desejo que eu registrei em papel para não esquecer por que comecei tudo isso.

E agora, diante da deliberação do Conselho Federal de Medicina, sinto que preciso voltar naquela página e dizer, em voz alta: esse dia, finalmente, chegou.

Uma dor de anos que ganha sentido

Durante anos, o PRP foi tratado como suspeita. Cercado de dúvidas, de preconceitos, de interpretações que nunca acompanharam a velocidade da ciência. Enquanto isso, médicos sérios continuaram estudando, refinando protocolos, produzindo evidência — muitas vezes sozinhos, sem respaldo institucional, sustentados apenas pela convicção de que estavam certos.

E do outro lado, pacientes. Milhares deles. Buscando fora do sistema tradicional o acesso a uma terapia biológica, autóloga, que usa a própria capacidade regenerativa do corpo — e que, mesmo assim, era tratada como se fosse experimental demais para ser levada a sério.

Foi para essas pessoas — médicos que insistiram e pacientes que esperaram — que escrevi este livro. E é para elas que esta notícia realmente pertence.

O que o CFM decidiu — e o que ele não decidiu

Preciso ser honesto sobre uma coisa: nenhuma resolução transforma uma terapia em eficaz. Quem faz isso é a ciência. São os estudos clínicos, os resultados reproduzidos, os pesquisadores e os médicos comprometidos com a ética que já vinham fazendo esse trabalho, resolução ou não.

O que o CFM faz agora é reconhecer que existe maturidade científica suficiente para que essa prática seja exercida com respaldo institucional. Isso não cria bons profissionais — quem já era sério continuará sendo, e quem nunca levou a ciência a sério continuará sendo charlatão amanhã, como era ontem. Mas muda algo essencial: os bons profissionais agora podem exercer essa medicina com muito mais segurança regulatória. E isso, no fim, é um presente para o paciente.

O verdadeiro trabalho começa agora

Sinto um misto de alívio e responsabilidade. Porque essa regulamentação não fecha uma discussão — ela abre outra, talvez mais exigente. Agora precisamos falar de padronização, de qualidade, de rastreabilidade, de seleção adequada de pacientes, de controle biológico, de protocolos reprodutíveis.

A pergunta deixa de ser “o PRP funciona?” — pergunta que, para mim, já estava respondida há tempos — e passa a ser: como entregar o melhor PRP possível, para o paciente certo, com o rigor que ele merece? Essa, para mim, sempre foi a pergunta que importa.

Por que “PRP Para Todos” nunca foi uma provocação

Quando escolhi esse título, sabia que ele soaria como afirmação ousada demais para alguns. Mas nunca defendi PRP para qualquer indicação, sem critério, sem método. Sempre defendi acesso — acesso baseado em ciência, em protocolo, em responsabilidade.

Porque inovação só cumpre seu propósito quando deixa de ser privilégio de poucos e passa a beneficiar muitos. Esse sempre foi o ponto. E talvez seja exatamente isso que este momento represente: não o fim de uma discussão, mas o começo de uma era em que a medicina regenerativa deixa as margens e passa a fazer parte, definitivamente, do futuro da medicina brasileira.

Ainda aguardamos a publicação oficial no Diário Oficial da União para conhecer o texto definitivo. Mas se a deliberação anunciada se confirmar, estaremos diante de um marco histórico — para médicos, para pesquisadores e, principalmente, para milhões de pacientes brasileiros que esperaram por isso mais do que imaginam.

Voltei àquela página grifada e escrevi por cima, na legenda do post: “Esse dia, finalmente chegou 🙏🚀🚀”.
Porque, finalmente — PRP para todos.

1 comentário em “”

  1. Parabéns pelo texto acima e pela forma de retratar este momento histórico. Gratidão a todos que lutaram com ciência, ética e dedicação para que esse reconhecimento fosse possível. Que seja um grande avanço para os pacientes e para a medicina regenerativa.Obrigada

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